Tive de proteger o país após o 11 de Setembro, disse Bush

Em entrevista ao National Geographic, ex-presidente americano disse precisou deixar de focar em assuntos domésticos

iG São Paulo |

O ex-presidente americano George W. Bush afirmou que se tornou "um presidente em tempo de guerra" após os atentados terroristas do 11 de Setembro de 2001 e optou por ser "decidido" para "proteger o país".

"Deixei de ser um presidente basicamente focado em assuntos domésticos para ser um presidente em tempo de guerra, algo nunca antecipado nem desejado", disse Bush em entrevista ao canal National Geographic, que será transmitida no próximo domingo, duas semanas antes do 10º aniversário dos atentados.

Segundo o ex-presidente americano, o momento posterior aos ataques "não é um desses nos quais se pode pesar as conseqüências”. “Tomei as melhores decisões que pude no nevoeiro da guerra. Fui decidido para proteger o país", analisou.

O ex-presidente explicou também que não "olhou para trás" e decidiu colocar todos os serviços de inteligência para procuar os responsáveis pelos atentados, porque havia "um trabalho a ser feito, que era encontrar essas pessoas e levá-las à Justiça".

Reação lenta

Bush recebeu a notícia dos atentados daquele dia quando estava em um colégio de ensino primário na Flórida lendo um livro para as crianças. Na mesma entrevista ao National Geographic, Bush justificou sua aparente falta de reação ao receber a notícia de que um segundo avião havia se chocado contra o World Trade Center como uma decisão de transmitir uma aura de calma em meio à crise.

Bush finalmente explicou o que passava por sua mente no momento mais dramático de sua presidência, assim como a falta de expressão no seu rosto e a lenta reação, quando visitava uma escola infantil na Flórida no dia 11 de Setembro de 2001. “A minha primeira reação foi de raiva. Quem diabos faz uma coisa assim contra a América? Depois eu foquei imediatamente nas crianças, e no contraste entre o ataque e a inocência delas”, afirmou referindo-se ao momento em que um assessor lhe cochichou a notícia ao ouvido.

Somente alguns minutos depois, Bush se deu conta de que as pessoas estavam observando a sua reação. “Então tomei a decisão de não sair correndo imediatamente daquela sala de aula. Eu não queria deixar as crianças nervosas. Eu queria projetar um senso de calma”, disse Bush.
Para Bush, os terroristas "não ganharam", mas "infligiram um dano terrível às vidas das pessoas e à economia" americana. "No 11 de Setembro milhares de nossos cidadãos perderam suas vidas, e jurei que isso não voltaria a acontecer", contou.

"O momento em que senti mais impotência foi ao ver as pessoas que se atiravam (das Torres Gêmeas) à morte. E não havia nada que pudesse ser feito", lembrou durante a entrevista.

Bin Laden

Segundo Peter Schnall, diretor e produtor executivo, a entrevista foi gravada casualmente, poucas horas depois da morte do líder fundador da Al-Qaeda, Osama bin Laden , em maio, no Paquistão.

Bush disse também que quando o presidente americano, Barack Obama, ligou para dar a notícia da morte de Bin Laden ele não sentiu "felicidade ou júbilo". "Tive uma sensação de encerramento", definiu.

"O 11 de setembro será um dia no calendário", comentou Bush ao compará-lo com o dia do ataque japonês a Pearl Harbor, que provocou a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. "Para aqueles que o viveram, será um dia que nunca esqueceremos".

*Com EFE

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