Tenda improvisada guarda túmulo esquecido do 11 de Setembro

Restos mortais das vítimas não-identificadas dos atentados jazem em local temporário enquanto museu não fica pronto

The New York Times |

Durante quase uma década, uma grande tenda branca permaneceu armada no East Side de Manhattan, uma intrusa no contexto urbano localizada na Rua Franklin D. Roosevelt. Uma tela semitransparente divide o espaço da tenda: de um lado uma tranquila capela improvisada, do outro lado unidades de armazenamento que contém cerca de 14 mil restos humanos da catástrofe do World Trade Center, secas ao ar e embaladas a vácuo.

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Unidades de armazenamento guardam os restos mortais das vítimas do 11 de Setembro

Várias rodadas de testes de DNA não conseguiram identificar os cerca de 9.000 pedaços de restos humanos. Os demais foram identificados, mas não reivindicados, por diversas razões. Algumas famílias, por exemplo, já enterraram partes de seus entes queridos e não suportariam ter de fazê-lo novamente.

Em breve, esses restos humanos serão armazenados no Monumento e Museu Nacional 11 de Setembro, que será construído no fundo do leito rochoso onde antes ficava o World Trade Center. O instituto legista da cidade vai manter a custódia dos restos mortais, porém, permitindo que sejam realizados mais testes quando os avanços científicos permitirem, ou que voltem às suas famílias, caso haja uma mudança de ideia.

Até então, esse lugar, que é intencionalmente temporário, localizado entre um estacionamento lotado e um abrigo de estilo gótico para homens que se estende entre as ruas 29ª e 30ª, é o verdadeiro memorial ao 11 de Setembro. Das 2.753 vítimas que morreram em Nova York, 1.121 ainda não tiveram seus restos mortais identificados.

No início, os visitantes vinham diariamente à capela, marcando horário para sentar-se e refletir, escrever anotações em um bloco ou deixar uma lembrança ou mais. Agora, diz Benjamin J. Figura, diretor de medicina legal de identificação, "em média recebemos uma ou duas pessoas por mês."

A exposição que já dura uma década danificou os cartões e as fotografias grampeados a uma parede de madeira compensada, antes lotada com os rostos dos mortos. Além disso, no outono de 2009, um advogado de alto calibre embriagado invadiu a capela e causou um incêndio que danificou o telhado, fotografias, arranjos florais e animais de pelúcia cheios de significado.

Mas as autoridades rapidamente restauraram a capela na tenda temporária que estará para sempre na memória.

* Por Dan Barry

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