Saiba as consequências do 11 de Setembro para os EUA

Ataques debilitaram país economicamente e o fizeram adotar medidas antiterror que mancharam sua reputação no exterior

Marsílea Gombata, iG São Paulo |

AP
Chefe de gabinete Andy Card avisa o presidente George W. Bush de ataque com aviões contra o World Trade Center durante uma visita a uma escola na Flórida
Os ataques terroristas do 11 de Setembro mudaram a última década e os anos que virão ao ter como consequência decisões de Washington que debilitaram o país política, econômica e militarmente - criando uma janela de oportunidades para outras nações.

Saiba a seguir as consequências para os Estados Unidos:

Em meio ao temor de ataque iminente, uma consequência imediata do 11 de Setembro foi a diminuição das liberdades civis dentro dos EUA e nas atuações americanas no exterior. O governo de Bush filho atuou para endurecer as regras de segurança internas, como a aprovação do Patriot Act, controversa medida que prevê espionagem, escutas telefônicas e buscas sem mandado judicial na casa de suspeitos, assim como endurecimento das medidas de segurança em voos e aeroportos .

“A grande maioria do eleitorado americano queria que o governo federal aumentasse seus esforços ao máximo para identificar potenciais terroristas. Consequentemente, houve forte apoio a medidas contrárias à imigração ilegal, assim como ao reforço do patrulhamento nas fronteiras, especialmente com o México”, disse americano Kirk Buckman, professor de relações internacionais da Universidade de New Hampshire, nos EUA.

Enquanto buscavam se adaptar às novas ameaças terroristas, as agências de inteligência passaram também a ter mais poder. Após receber cobertura legal do Departamento de Justiça do governo, agentes passaram a usar “métodos duros de interrogatório” em suspeitos de terrorismo.

Em 2009, a administração de Barack Obama baniu a prática e reverteu a decisão do governo Bush que a endossava. O presidente americano, porém, disse que não pretende processar os agentes que tinham autorização para usar os métodos, que incluiriam simular afogamento, jogar presos contra paredes, deixá-los de pé por dias ou sobre caixas pequenas, segundo membros do governo Bush citados pelo New York Times.

No campo econômico, o 11 de Setembro teve um impacto profundo no país por causa dos altos gastos com as guerras no Afeganistão e no Iraque. De acordo com uma pesquisa divulgada em junho pelo Instituto Watson de Estudos Internacionais, da Universidade Brown, nos quase dez anos desde que soldados americanos desembarcaram no Afeganistão em busca de líderes da rede terrorista Al-Qaeda, os gastos nos conflitos chegaram a cerca de US$ 2,8 trilhões.

Estimativa do custo das guerras (2001-2011)

Nos últimos dez anos, EUA gastaram US$ 2,8 trilhões. Veja para onde foi o dinheiro (em porcentagem e números absolutos)

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Universidade Brown, EUA

Estima-se que, até o fim dessas guerras, os custos cheguem a US$ 4,4 trilhões. “Não restam dúvidas de que o 11 de Setembro teve um impacto profundo na economia americana. O orçamento federal foi do limite para o vermelho e continua caindo”, afirmou o analista americano Robert Schmuhl, professor da Universidade Notre Dame, em Indiana.

Após alcançar uma popularidade de 86% em 2001 após os ataques, Bush conseguiu ser reeleito em 2004 sob forte argumento de que a nação ainda estava vulnerável e em guerra contra o terror. Sua aceitação entre o eleitorado americano, no entanto, foi minada com a impopular Guerra no Iraque, que teve início em 2003, a falta de avanços concretos no conflito afegão, os gastos militares vultosos durante sua gestão, o crescente endividamento americano e a crise financeira de 2008.

“A reação do governo ao 11/9 prejudicou também os interesses dos próprios EUA, especialmente depois da aventura militar de Bush. Obama ainda não alterou essa agenda de forma profunda, apesar de ter retirado forças de combate do Iraque e buscado melhorar a imagem dos EUA perante o mundo”, disse o historiador britânico Kenneth Maxwell, que fundou o Programa de Estudos Brasileiros do Centro David Rockefeller para Estudos Latino-Americanos, de Harvard.

Obama

Apesar de na campanha eleitoral de 2008 ter buscado se distanciar de Bush, Obama não tem conseguido reverter o legado do 11 de Setembro e, em algumas situações, o vem reafirmando. Enquanto senador e candidato, manteve uma postura crítica em relação ao Patriot Act. Como presidente, no entanto, prorrogou três pontos-chave da controversa lei em maio deste ano.

A interceptação de todos os meios de comunicação de um suspeito sem a necessidade de mandados e o acesso a qualquer documento relevante para uma investigação, como históricos financeiros, continuam valendo, bem como o rastreamento de suspeitos de terrorismo sem vínculos com outros países ou organizações criminosas.

Getty Images
Detentos são vistos na prisão dos EUA na base naval de Guantánamo, Cuba (foto de arquivo)
Uma de suas promessas de campanha, o fechamento do centro de detenção em Guantánamo, não foi cumprida. Apesar de mostrar esforços para não enviar mais presos para a base, como com o interrogatório de um suspeito somali a bordo de um navio no início de julho, o presidente mantém sua atenção em melhorar a imagem externa dos EUA e em principalmente reerguer a economia do país.

Após herdar um déficit de US$ 1,2 trilhão, uma dívida de mais de US$ 10 trilhões e as consequências da crise de 2008, o presidente americano enfrenta altos índices de desemprego que são um potencial obstáculo à sua campanha de reeleição em 2012 .

“Os únicos atores que poderiam fazer diferença e pesar a favor do fechamento de Guantánamo são os democratas. Mas Obama agora esteve mais preocupado em conciliar republicanos e democratas em prol de um acordo para aumentar o limite da dívida e não enviar uma mensagem errada ao mercado financeiro”, observou Buckman, referindo-se ao acordo que evitou o calote americano em agosto .

Assista ao vídeo sobre os ataques do 11 de Setembro:

*Com colaboração de Fernando Serpone, especial para o iG

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