11 de Setembro

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Saiba as consequências do 11 de Setembro para a Europa

Continente sentiu-se vulnerável por terrorismo e aliou-se a Washington na Guerra ao Terror; relações com Moscou se enfraqueceram

Marsílea Gombata, iG São Paulo | 10/09/2011 08:00

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Os ataques terroristas do 11 de Setembro mudaram a última década e os anos que virão ao ter como consequência decisões de Washington que debilitaram o país política, econômica e militarmente.

Saiba as consequências do 11 de Setembro para a Europa, incluindo a Rússia:

Na Europa, o 11 de Setembro teve efeitos semelhantes aos que os EUA sentiram dentro de casa. O maior deles diz respeito à sensação de insegurança e vulnerabilidade, principalmente depois dos atentados terroristas de 2004 nos trens de Madri e de 2005 contra o metrô de Londres.

Foto: Getty Images

Trem destruído é visto após ataque que deixou 191 mortos em Madri, Espanha, em 2004

“As consequências foram muito rápidas e nos levaram a ficar ainda mais próximos dos EUA”, avaliou o especialista polonês Piotr Maciej Kaczynski, do Centro para Estudos de Políticas Europeias (Ceps, na sigla em inglês), em Bruxelas. “Como aliados, tivemos de ter a mesma postura da Guerra ao Terror e passamos a acreditar e seguir o que Washington determinava”, afirmou, referindo-se a governos aliados aos EUA como Reino Unido e Espanha.

Em 2006, um relatório do Conselho da Europa (CE, que supervisiona direitos humanos no continente) acusou governos de 14 nações europeias de permitir o tráfego de voos secretos da CIA com suspeitos de terrorismo. Nessas rendições extraordinárias, os supostos terroristas eram enviados a prisões secretas no leste europeu, África e Ásia, onde eram interrogados pelos serviços de inteligência americanos sem ter a proteção legal ou os direitos das leis americanas.

Os EUA reconheceram o transporte de suspeitos de terrorismo, mas negaram tê-los enviado para outros países para serem submetidos à tortura. De acordo com o documento do CE, Espanha, Turquia, Alemanha e Chipre foram alguns dos pontos de passagem para rendições extraordinárias, enquanto Reino Unido, Portugal, Irlanda e Grécia foram pontos de saída.

O 11 de Setembro e a invasão do Afeganistão, do qual participam membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), acarretaram outra consequência para a Europa. Com a dispersão da Al-Qaeda depois do início da guerra, membros da rede fugiram para países europeus como o Reino Unido e se organizaram em células menores. “O 11 de Setembro fez a Al-Qaeda ser um fenômeno não apenas da Ásia e do Oriente Médio, mas também da Europa”, resumiu Kaczynski.

O crescimento da presença de mais terroristas em território europeu contribuiu para o aumento de um tipo de xenofobia específica contra muçulmanos. Segundo Kaczynski, o debate sobre segurança e imigração somou-se à questão da crise econômica na região e resultou em um aumento da islamofobia em diversos países, como França, Suíça, Bélgica e Holanda. O veto à construção de minaretes na Suíça e ao uso da burca na França são alguns exemplos.

Rússia

Assim como os tradicionais aliados dos EUA no continente europeu, a Rússia também declarou apoio à Guerra ao Terror de Bush e levou a estratégia adiante internamente em prol de seus interesses. O 11 de Setembro deu ao então presidente Vladimir Putin (2000-2008) o argumento para justificar a ocupação na Chechênia, que tentou declarar sua independência após o fim da União Soviética, além de ganhar apoio americano para as ações do Exército russo em outros países da região do Cáucaso. Vale lembrar que, antes dos ataques, Bush frequentemente condenava a campanha militar russa em território checheno.

Além disso, Putin fez concessões antes impensáveis a Washington. “A Rússia colaborou fortemente com os EUA na troca de informações sobre terrorismo islâmico e com a permissão de que fossem instaladas bases americanas nas ex-repúblicas islâmicas da ex-URSS na Guerra do Afeganistão”, afirmou o especialista em Rússia Angelo Segrillo, da USP, sobre países da Ásia Central como Quirguistão, Usbequistão e Tajiquistão.

A relação Washington-Moscou, no entanto, tornou-se novamente amarga desde o segundo mandato de Bush, após o aumento da influência dos EUA na antiga esfera de influência soviética. “As relações entre os dois países ficaram tensas por disputas sobre a ampliação da Otan em direção ao leste e os planos de construção de um escudo antimíssil da aliança ocidental, supostamente contra o Irã, mas apontado em direção à Rússia”, disse Segrillo.

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