Saiba as consequências do 11 de Setembro para a América Latina

Voltados para Guerra ao Terror, EUA não priorizaram região, que nos últimos dez anos teve mais autonomia e ascensão de Brasil

Marsílea Gombata, iG São Paulo |

Os ataques terroristas do 11 de Setembro mudaram a última década e os anos que virão ao ter como consequência decisões de Washington que debilitaram o país política, econômica e militarmente - criando uma janela de oportunidades para outras nações.

Saiba a seguir as consequências para a América Latina:

Com o 11 de Setembro ficou claro que a América Latina ficaria em segundo plano nas prioridades da política externa americana. Diferentemente de épocas anteriores, como nas ditaduras militares nas décadas de 60 a 80, quando Washington manteve fortes relações com os governos latino-americanos, os EUA deixaram de se preocupar tanto com a região e se voltaram para a Guerra ao Terror no Oriente Médio e Ásia.

“Da perspectiva americana, a América Latina caiu em um limbo, apesar do exitoso crescimento econômico do Brasil por um lado e a contínua provocação da Venezuela de outro”, disse o historiador britânico Kenneth Maxwell, referindo-se ao antiamericanismo do presidente venezuelano, Hugo Chávez. “Assim, o Brasil foi capaz de ascender sem ser explicitamente um motivo de preocupação para os EUA”, completou Maxwell, que fundou o Programa de Estudos Brasileiros do Centro David Rockefeller para Estudos Latino-Americanos, de Harvard.

Além de Chávez, nesse período também chegaram ao poder outros líderes contrários ao “imperialismo americano”, como o boliviano Evo Morales, o equatoriano Rafael Correa, o ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya, o nicaraguense Daniel Ortega.

O discurso de autodeterminação regional sem o jugo americano também abriu caminho para a promoção de órgãos e instituições sem a participação dos EUA, como a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) e a Alba (Aliança Bolivariana para as Américas), criada como alternativa à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Segundo o venezuelano Rafael Villa, que estuda questões de segurança na relação entre EUA e América Latina na Universidade de São Paulo (USP), a guerra ao terror na região foi traduzida pela maior preocupação com narcotráfico e segurança pública em países como a Colômbia.

Apesar de a chegada de Obama à Casa Branca em 2009 ter criado a esperança de que os laços regionais fossem renovados, na prática essa expectativa não acabou se concretizando. “O Brasil passou a cobrir um vácuo deixado pelos EUA”, disse Villa. “ Obama tentou recuperar esse espaço , mas até agora não conseguiu.”

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