Saiba as consequências do 11 de Setembro para a África

Após ataques, houve maior presença de Brasil e China e preocupação de que pobreza seria um terreno fértil para os terroristas

Marsílea Gombata, iG São Paulo |

Os ataques terroristas do 11 de Setembro mudaram a última década e os anos que virão ao ter como consequência decisões de Washington que debilitaram o país política, econômica e militarmente - criando uma janela de oportunidades para outras nações.

AP
Membros da milícia União das Cortes Islâmicas fazem treinamento na periferia de Mogadishu, na Somália (27/5)
Saiba as consequências para a África:

Na África, o impacto do 11 de Setembro se manifestou em um aumento da ajuda externa americana, em um contexto marcado pela presença cada vez maior da China na região e a crescente relevância de novos parceiros como Brasil e Índia, importantes atores na geopolítica Sul-Sul.

Segundo o professor ganense Francis Owusu, da Universidade Estadual de Iowa, nos EUA, depois dos atentados o governo americano começou a argumentar que a pobreza seria um terreno fértil para terroristas.

“A discussão sobre a miséria na África se transformou em um debate sobre pobreza e terrorismo”, afirmou. “Países como Somália e Nigéria passaram a ser vistos como abrigo de futuros terroristas, ideia que centralizou a política externa americana nesse continente”, afirmou Owusu.

Após o 11 de Setembro, lembrou o especialista, o programa Millennium Challenge Account (MCA), financiado pelo governo federal americano, foi apresentado como estratégia não apenas para combater a pobreza global, mas como parte da guerra ao terror. “Também trabalhamos por prosperidade e oportunidade porque ajudam a derrotar o terrorismo”, disse Bush em discurso de março de 2002.

Nesse sentido, uma das primeiras medidas de sua administração foi aumentar em 50% o orçamento anual do programa para os anos seguintes em alguns países da região. A busca por novas fontes de petróleo no Oriente Médio e na África também marcou as relações com governos do continente. “Países produtores de petróleo também passaram a ganhar mais ajuda, dado o interesse americano”, disse o professor.

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