Repórter relembra momentos com Bush no 11 de Setembro

Arshad Mohammed, jornalista da Reuters, acompanhava o então presidente em evento na Flórida quando ocorreram os ataques

iG São Paulo |

Quando um jornalista da agência Reuters viajou com o então presidente George W. Bush até a Flórida para cobrir um evento de educação, ele não imaginava que participaria tão de perto de um momento que se tornaria histórico em seu país, o 11 de Setembro .

Arshad Mohammed relata que, assim que soube que o primeiro dos quatro aviões sequestrados tinham atingido uma das Torres Gêmeas, em Nova York (veja cronologia dos atentados) , perguntou prontamente a Bush, em uma sala de aula da escola Emma E. Booker: "senhor presidente, o senhor tem conhecimento das notícias de que um avião bateu em Nova York?"

O jornalista, que presenciou a história em tempo real, especialmente quando o chefe da Casa Branca Andrew Card cochichou no ouvido do então presidente que a segunda torre do World Trade Center também tinha sido atingida por um avião. "Bush não respondeu minha pergunta, e pouco depois, surgiu na biblioteca da escola para dizer: 'hoje, nós tivemos uma tragédia nacional. Dois aviões bateram no WTC, em um aparente ataque terrorista ao nosso país'".

De acordo com o repórter, Bush, pego de surpresa pelo ataque, passou o restante do dia voando no Air Force 1, "fugindo de um inimigo incerto em vez de retornar imediatamente para Washington, um movimento que levantou dúvidas sobre sua liderança em meio a uma crise".

Vídeo (em inglês) mostra reação de Bush:


Na escola, antes de os jornalistas retornarem ao Air Force 1, uma equipe de segurança e cães farejadores revistaram os jornalistas, uma medida, segundo Mohammed, não habitual. "Poucos minutos após a decolagem, ficou claro que não estávamos voltando para a casa, por não passamos de novo pela costa, como havíamos feito um dia antes, ao chegar à Flórida. Ao invés disso, voamos por cima da terra, a uma altitude bem acima da normal", relembra.

Enquanto estavam na aeronave, os jornalistas assistiam ao vivo imagens dos ataques em uma televisão. "Não tínhamos ideia de para onde estávamos indo, até que um assessor de imprensa nos disse que nosso destino era a Base da Força Aérea Barksdale, na Louisiana, onde Budh iria fazer um comunicado, e que poderíamos noticiar o que ele diria, mas não o lugar onde estava", relatou.

Mohammed assinala que, em terra, não havia toda a pompa e cerimônia que normalmente aguardam o presidente. Em vez disso, Bush desceu do Boeing 747, com soldados ao redor, e um oficial em um momento ordenou bruscamente a outro "vai para aquela asa, agora!". "Foi como se os militares, com toda a sua força, temessem que o avião do presidente não estivesse seguro em meio a uma grande pista em uma base onde sua presença era um segredo", contou.

Os jornalistas não puderam usar seus telefones celulares para que as ligações não fossem rastreadas, entregando a localização de Bush. Repórteres foram levados a uma sala de entrevisas sem janelas. Assessores correram para montar um pódio com duas bandeiras para Bush, então, fazer um comunicado, o qual os presentes só poderiam divulgar como realizado "em uma localização desconhecida".

"Enquanto esperávamos, alguém informou que notícias da chegada de Bush tinham sido dadas em uma emissora de TV local. Rapidamente, confirmando essa informação com um oficial da Força Aérea, um assessor nos disse que podíamos ligar para os nossos editores", disse Mohammed.

"Após prometer 'caçar e punir aqueles responsáveis por esses ataques covardes,' Bush voltou ao Air Force 1 com muito menos pessoal, deixando para trás assessores, agentes do Serviço Secreto e membros da imprensa, incluindo eu, que voariam a Washington em um avião reserva da Força Aérea", concluiu o repórter.

Neste domingo, o ex-presidente dos EUA acompanhou o atual, Barack Obama, nas cerimônias realizadas no Marco Zero, em Nova York, em homenagem aos dez anos dos atentados . Ele leu uma carta de Abraham Lincoln (1861-1865) para uma mulher que perdeu seus cinco filhos na Guerra Civil do país.

"Sinto quão fraca e infrutífera deve ser qualquer palavra minha para tentar consolar uma perda tão inimaginável", leu Bush, citando Lincoln. "Mas não posso evitar de apresentar-lhe o consolo que pode ser encontrado no agradecimento da república pela qual eles morreram para salvar."

No sábado, Bush, acompanhado da mulher, Laura, prestou homenagem às vítimas do Pentágono e da queda do avião sequestrado na Pensilvânia, em Washington e Shanksville, respectivamente.

* Com Reuters

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