Obama visita no 11 de Setembro memoriais em homenagem às vítimas

Acompanhado da primeira-dama, presidente americano visitará locais dos ataques de 2001 em Nova York, Washington e Pensilvânia

Carolina Cimenti, de Nova York, especial para o iG |

AP
O Memorial e Museu do 11 de Setembro, em Nova York, são vistos iluminados na noite de 9 de setembro de 2011
O presidente americano, Barack Obama, terá um fim de semana agitado. Ele confirmou presença em três eventos diferentes no domingo, nos memoriais nacionais do 11 de Setembro em Nova York, Washington D.C. e Pensilvânia. Enquanto os EUA vão parar para relembrar os maiores ataques terroristas da história, o presidente cumprirá uma agenda apertada ao lado da primeira dama, Michelle. Neste sábado, em mensagem de áudio e na internet, Obama pediu união nacional na véspera do aniversário dos ataques.

Em Nova York, assim como em outras capitais americanas, a polícia recebeu um treinamento especial para a data e, juntamente com o corpo de bombeiros, opera em alerta máximo desde início do mês de setembro, afirmou ao iG o policial Tony (que não quis divulgar seu sobrenome). “Os riscos sempre aumentam em datas comemorativas de ataques, mas não se preocupe, para onde quer que você olhe nesta cidade, verá policiais, mesmo que não saiba disso”, disse, referindo-se aos oficiais à paisana.

No domingo, 11 de Setembro, apenas parentes de vítimas e convidados poderão participar das atividades nos três memoriais, mas, a partir da segunda-feira, eles estarão abertos para visitantes e turistas. Em Nova York, bombeiros e voluntários que trabalharam durante meses resgatando vítimas e corpos, e limpando o Marco Zero (onde ficavam as Torres Gêmeas do World Trade Center), não foram convidados para o evento. A prefeitura disse “não haver espaço para todos”. A decisão, porém, criou mal-estar entre várias organizações de ex-voluntários e foi duramente criticada pelo corpo de bombeiros.

Memorial de Nova York

O canteiro de obras do Marco Zero, que funciona 24 horas, sete dias por semana há dez anos, com mais de 5 mil operários, se transformará em um jardim de meditação a partir do dia que marca o décimo aniversário do 11 de Setembro. Duas piscinas gigantes, com o exato perímetro das Torres Gêmeas e no exato local onde se encontravam, foram construídas em granito cinza chumbo italiano. Elas estarão sempre cheias, com centenas de fontes jorrando milhares de litros de água por minuto, que serão absorvidos por um buraco quadrado exatamente no centro delas.

O fundo de cada uma das piscinas é impossível de enxergar, pois a ideia é representar o vazio infinito e refletir o céu. Ao redor de cada uma das piscinas, está escrito o nome de cada uma das quase 3 mil vítimas do 11 de Setembro, que, além dos aviões contra o WTC, contou com um ataque contra o Pentágono e teve a queda de um avião na Pensilvânia. (Veja infográfico com a cronologia dos ataques)

O visitante observa a primeira piscina, na sua grandiosidade, e desiste de ler todos os nomes quando se dá conta de que o ato levaria pelo menos duas horas. É impossível não pensar que ali, naquele buraco, desmoronou um prédio inteiro de 110 andares com milhares de pessoas dentro em apenas oito segundos. Dali o visitante caminha alguns metros e chega na borda da segunda piscina. Exatamente igual à primeira. O mesmo tamanho, os nomes escritos, o barulho da água caindo no vazio.

Cerca de US$ 700 milhões foram gastos para construir as piscinas, cercadas por mais de 400 árvores, em uma das áreas onde, até 2001, eram cobrados os alugueis mais caros de Nova York. Um jardim de meditação em meio aos canteiros de construção dos quatro edifícios que voltarão a ser o complexo World Trade Center . Na área também haverá uma estação de transportes, um centro de apresentações culturais e um museu em homenagem às vítimas. (Veja infográfico acima)

Para visitar o Memorial 11/9 em Nova York, é preciso reservar uma senha no site . Em setembro de 2012, o Museu do World Trade Center deve ser inaugurado.

AP
Visitante observa local da queda do voo 93, sequestrado durante os ataques do 11 de Setembro, em Shanksville, Pensilvânia (08/09/2011)
Pensilvânia

O segundo memorial a ser visitado pelo presidente Obama também será inaugurado no domingo. É o memorial Flight 93 (Voo 93), no exato local em que o quarto avião sequestrado por terroristas caiu, em um campo de Stonycreek Township, matando todos a bordo: 40 tripulantes e passageiros, além dos quatro terroristas.

Assim como muitas vítimas e equipes de resgate, os passageiros do voo 93 foram heróis. Nos 30 minutos seguintes ao sequestro do avião, alguns deles entraram em contato com suas famílias por meio dos telefones da aeronave e descobriram sobre os ataques em Nova York e no Pentágono, em Washington. Os passageiros então se organizaram e decidiram afrontar os sequestradores antes que eles atingissem mais um alvo.

Gravações da cabine do piloto demonstram que os terroristas, temendo que os passageiros tomassem o controle da aeronave, começaram a movê-la de um lado para o outro, apontando o bico do avião para cima e para baixo, até que explodiram contra o chão em um campo aberto em Shanksville, a menos de 20 minutos de voo de Washington D.C. Acredita-se que os terroristas tinham como alvo o Capitólio (o prédio do Congresso americano), onde centenas de deputados e senadores estavam discutindo naquela manhã, ou a própria Casa Branca, residência do presidente americano.

O memorial da Pensilvânia foi desenvolvido pelos arquitetos Paul e Milena Murdoch, e começou a ser construído em 2009. O projeto, que custou cerca de US$ 60 milhões, inclui um longo muro com os nomes de todas as vítimas do 11 de Setembro, um jardim redondo, protegendo a área da queda da aeronave, e 40 árvores para comemorar a vida de cada uma dos civis mortos no voo 93.

Atualmente, mais de 130 mil visitam o local todos os anos. Espera-se que, com a inauguração do memorial, o número dobre. Para planejar uma visita, leia as informações no site .

Washington D.C.

O Pentágono, localizado em Arlington, no Estado da Virgínia, é quartel-general do Departamento de Defesa dos EUA. Por isso, o fato de ele ter sofrido um ataque terrorista é extremamente significativo: além de atacar o coração do mercado financeiro da maior economia do mundo em Nova York, a rede Al-Qaeda conseguiu atingir o departamento de guerra do país, que tem a estrutura militar mais cara e avançada do mundo.

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Casal visita o Memorial do Pentágono nas primeiras horas de 2 de maio, dia da morte do líder da Al-Qaeda Osama bin Laden
Depois de sequestrar a aeronave do voo American Airlines 77, com destino a Los Angeles, os cinco terroristas mudaram a rota do avião para direção norte. Às 9h33, controladores de voo no aeroporto Ronald Reagan, em Washington, informaram ao serviço secreto americano de que “uma aeronave está indo em direção à Casa Branca e não está se comunicando com os aeroportos”. Um minuto depois, o avião virou para o sul, fez um círculo em direção nordeste e voltou para a direção de Washington. O destino final não era a Casa Branca, mas o Pentágono.

Quatro minutos mais tarde, a aeronave foi jogada contra um dos cinco lados do Pentágono, matando 189 pessoas - 60 a bordo do avião e 125 no Pentágono, além dos quatro terroristas.

O Memorial do Pentágono foi a primeira homenagem nacional para o 11 de Setembro a ser inaugurada, em setembro de 2008. Ele custou US$ 22 milhões e é formado por mais de 100 bancos com os nomes de cada uma das vítimas, construídos com concreto e madeira e contendo fontes de água na parte de baixo. É como se os bancos navegassem ligeiramente. Alguns visitantes acham os bancos mais parecidos com túmulos.

Se o visitante consegue abstrair dos barulhos da estrada ou de aviões passando, ouvirá o borbulhar das águas correndo abaixo dos bancos. De repente, as águas e o barulho são interrompidos. Por um minuto. Exatamente às 9h37 de cada manhã. Todos os dias.

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