No 11 de Setembro, prédio similar ao WTC foi mensageiro das vítimas

Funcionários de empresa em Oklahoma negociavam com parceiros de Nova York no momento dos ataques e ouviram suas últimas palavras

The NewYork Times |

Os telefones tocavam sem parar e o som era quase o de uma explosão. Era 11 de setembro e alguns dos negociadores de ações de uma empresa de energia na cidade de Tulsa, em Oklahoma, falavam com seus colegas em uma empresa financeira no World Trade Center em Nova York. De repente, as chamadas de negócios se transformaram na anotação frenética de mensagens finais ditadas para entes queridos. Em seguida, as linhas foram cortadas.

NYT
Prédio localizado em Tulsa, que foi projetado pelo mesmo arquiteto do World Trade Center, guarda semelhanças com o alvo dos ataques de 11 de Setembro. (18/08)
Numa estranha reviravolta do destino, essa torre de escritórios onde as mensagens foram anotadas – um prédio de 52 andares localizado na cidade famosa por seu petróleo – guarda uma estranha semelhança com as torres gêmeas que caíram em Nova York.

Conforme o aniversário de 11 de setembro se aproxima, a Williams Cos, empresa de energia proprietária do edifício, continua tão preocupada com a semelhança que tem tentado mantê-la em segredo.

A história deste edifício de escritórios construído nas planícies empoeiradas do sul há 35 anos é a de um labirinto improvável de conexões que ligam as pessoas daqui aos ataques em Nova York. Originalmente, haviam duas torres menores nos planos de Minoru Yamasaki, o arquiteto que projetou o World Trade Center. Mas após ver o modelo, o chefe da Williams Cos optou por uma das torres e rejeitou a complementar.

“Você nunca percebe que existe uma conexão até que algo aconteça”, disse Keith E. Bailey, ex-presidente executivo da Williams Cos, que havia estado no World Trade Center um dia antes, 10 de setembro, com uma equipe de funcionários.

Na manhã de 11 de setembro de 2001, depois que os aviões bateram, alguns funcionários da Williams estenderam a mão para os funcionários da Cantor Fitzgerald, uma parceira de negócios que perdeu 658 funcionários nos ataques. Eles descreveram o caos ao seu redor, enquanto esperavam para ser resgatados. Quando ficou claro que a ajuda não chegaria, uns poucos começaram a passar mensagens para que fossem retransmitidas aos seus filhos e cônjuges.

"Foi incrivelmente emocional", disse Bill Hobbs, que dirigia a divisão de comercialização de energia para a Williams na época. "Isso durou não sei quanto tempo, pareceram horas, antes que as linhas fossem cortadas."

Depois, a empresa ofereceu a criação de um banco de telefones para a Cantor Fitzgerald lidar com a enxurrada de telefonemas de familiares e amigos. Funcionários se voluntariaram 24 horas, alguns chegaram a dormir nos escritórios entre os turnos.

Ao mesmo tempo, muitos aqui se preocupavam com seu próprio edifício. No dia dos ataques, oficiais da Williams precisaram dizer a estações de televisão que seus helicópteros sobrevoando a torre estavam assustando seus funcionários. A empresa discutiu fechar os últimos 20 andares do edifício, mas decidiu que isso teria sido inútil contra um ataque no nível do solo.

Bailey tentou garantir a seus empregados que apenas porque o edifício se assemelhavam às torres gêmeas, isso não queria dizer que ele estava em risco. "Ninguém atacaria apenas por isso", afirmou ele.

Ainda assim, muitos funcionários lembravam de olhar para o edifício ao chegar para trabalhar e imaginar a mesma cena que havia sido passada na televisão após os ataques.

"Toda vez que eu ia trabalhar, eu olhava para cima e via a imagem na minha cabeça, a imagem dos aviões colidindo contra o prédio", disse Lea Ann Forbes, que trabalha no Bank of Oklahoma, também localizado no prédio.

Mesmo que a Williams tenha omitido qualquer referência a Yamasaki ou ao World Trade Center em um comunicado à imprensa sobre o 30º aniversário do edifício há vários anos, outros aqui falam com orgulho sobre a linhagem compartilhada. "É um emblema daquilo que foi", disse Charlene Stroud, uma analista de produção na Williams. "De alguma forma somos parte dessa memória."

* Por A. G. Sulzberger

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