EUA criam guia do 11 de Setembro para funcionários do governo

Em declarações sobre 10 anos do ataque, autoridades devem pedir resiliência e louvar aliados internacionais na luta contra terror

The New York Times |

A Casa Branca divulgou orientações detalhadas para os funcionários do governo sobre como comemorar o 10º aniversário dos ataques do 11 de setembro de 2001 , honrando a memória daqueles que morreram em solo americano, mas também recordando que, desde então, grupos extremistas realizaram atentados em outras partes do mundo, de Mumbai a Manila.

Nos últimos dias, dois conjuntos de documentos foram silenciosamente divulgados. Um deles é destinado aos aliados no exterior e foi enviado para embaixadas e consulados dos Estados Unidos em todo o mundo. O outro inclui instruções para os próprios americanos e ressalta a importância do serviço nacional e o quê o governo tem feito para impedir outro grande ataque nos Estados Unidos. Esse documento de uma única página foi emitido para todas as agências federais, segundo as autoridades.

Após semanas de debate interno, funcionários da Casa Branca adotaram os documentos para moldar os eventos públicos e declarações oficiais. Além disso, procuraram um equilíbrio delicado entre mensagens projetadas para esses dois públicos muito importantes, mas muito diferentes, quando a atenção do mundo estará focada no presidente Barack Obama, sua equipe de liderança e sua nação.

NYT
Pessoas passam pelo Marco Zero, local onde ficavam as Torres Gêmeas em Nova York, no nono aniversário do 11 de Setembro, em 2010

O guia de diretrizes lista que temas ressaltar – e, tão importante quanto, que tom adotar. Os funcionários são instruídos a lembrar aqueles que morreram nos ataques do 11 de setembro de 2001 e agradecer aos que atuam nas forças militares, segurança nacional e aplicação da lei por suas contribuições desde então.

"A meta principal da nossa comunicação é apresentar um resultado positivo, uma narrativa sobre o futuro”, afirma o guia de diretrizes para estrangeiros.

Cópias dos documentos internos foram entregues ao The New York Times por funcionários de diversas agências envolvidas no planejamento das comemorações do aniversário. "O tema é importante para mostrar ao mundo o quanto percebemos que o 11 de Setembro - tanto os próprios ataques quanto o extremismo violento em larga escala - não se trata apenas de nós", disse um funcionário, que não quis ser identificado.

Alguns líderes sênior do governo Obama haviam defendido um programa extenso de discursos e eventos para marcar o aniversário, mas a decisão final foi que Obama e outras autoridades façam aparições apenas nos dias que antecederem o aniversário e no próprio 11 de setembro.

"Precisamos saber que estamos falando a um público muito amplo que será afetado pelo aniversário”, disse Benjamin J. Rhodes, vice-conselheiro de segurança nacional, em entrevista por telefone na sexta-feira.

Novas ameaças

À medida que a Casa Branca se prepara para as comemorações, também se intensificam os esforços para identificar sinais de planos terroristas estrangeiros ou nacionais possivelmente marcados para o aniversário. Até agora, segundo autoridades, nenhum foi detectado.

Funcionários de vários departamentos federais disseram que irão consultar as diretrizes da Casa Branca, mas que receberam ampla margem de manobra para realizar eventos comemorativos em suas agências.

Um novo tema marca de maneira significativa ambos os documentos: os funcionários do governo devem avisar os americanos para que estejam preparados para um outro ataque, e para serem resilientes quanto à recuperação de possíveis perdas.

"A resiliência assume muitas formas, incluindo a dedicação e a coragem para seguir em frente", afirma o guia de diretrizes para o público estrangeiro. "Enquanto nós nunca devemos esquecer aqueles que perdemos, devemos fazer mais do que simplesmente lembrar deles – devemos manter a nossa resiliência e permanecer unidos para evitar novos ataques e novas vítimas".

Ao mesmo tempo, funcionários do governo Obama alertam que comemorações públicas no país não devem retratar os Estados Unidos como a única vítima do terrorismo.

Segundo funcionários de alto escalão do governo, o tom definido para a comemoração deve reconhecer que o apoio internacional dado aos EUA após os ataques se transformou em raiva por causa de políticas adotadas em nome da guerra ao terror.

Assim, as diretrizes destinadas ao público estrangeiro também pedem que as autoridades americanas louvem os seus parceiros no exterior e os seus cidadãos, que se juntaram ao esforço mundial para combater o extremismo violento.

"Ao comemorarmos os cidadãos de mais de 90 países que morreram nos ataques de 11/09, honramos todas as vítimas do terrorismo, em todas as nações ao redor do mundo", afirma o guia. "Honramos e celebramos a resistência dos indivíduos, famílias e comunidades em todos os continentes, seja em Nova York ou Nairóbi, Bali ou Belfast, Mumbai ou Manila, Lahore ou Londres."

A morte de Osama bin Laden foi vista como motivo para "minimizar as referências à Al-Qaeda". Enquanto os terroristas afiliados à rede terrorista "ainda têm a capacidade de infligir danos", dizem as diretrizes, as autoridades devem ressaltar que "Al-Qaeda e seus adeptos tornaram-se cada vez mais irrelevantes."

As diretrizes dizem que a ausência de um papel significativo da Al-Qaeda nas revoltas no mundo árabe deve ser citada como prova de que a organização de Bin Laden "representa o passado", enquanto manifestantes de rua pacíficas no Egito e Tunísia "representam o futuro." Não foi mencionado que muitos dos líderes depostos eram aliados próximos dos Estados Unidos e outros países que lideram em operações de contraterrorismo.

As diretrizes nacionais, intituladas "Planejamento do Aniversário do 11/09", são mais curtas e menos exigentes do que as destinadas ao público no exterior. Elas observam que as cerimônias irão homenagear os americanos mortos no 11 de setembro, mas também "todas as vítimas do terrorismo, incluindo aquelas que foram alvos da Al-Qaeda e de outros grupos ao redor do globo”.

As diretrizes também reconhecem que os americanos esperam que os líderes do governo expliquem quais medidas foram tomadas para prevenir outro ataque como o 11/09, além de encorajar os americanos a realizar trabalhos voluntários em suas comunidades.

As diretrizes nacionais também pedem aos americanos algo que tem faltado em Washington: "Devemos aproveitar o espírito de unidade que prevaleceu após dos ataques."

Por Thom Shanker e Eric Schmitt

    Leia tudo sobre: 11 de setembrowtcterrorismoal-qaedanova yorkeua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG