Debilidade dos EUA pós-11 de Setembro favoreceu mundo multipolar

Escolhas feitas por Washington após ataques enfraqueceram imagem americana e permitiram ascensão de países como China e Brasil

Marsílea Gombata, iG São Paulo |

O golpe aos símbolos econômico e militar dos EUA em 11 de Setembro de 2001 não transformou o mundo apenas por expor a vulnerabilidade de uma potência que, apenas dez anos antes, pareceu inabalável quando celebrou a vitória de seu modelo perante o da União Soviética (URSS), em 1991.

AFP
Fumaça sai do World Trade Center depois de ser atingido por dois aviões no 11 de Setembro de 2001
Ao pulverizar o World Trade Center e levar parte do Pentágono ao chão, o pior ataque terrorista em solo americano mudou a última década e os anos que virão ao ter como consequência decisões de Washington que debilitaram o país política, econômica e militarmente - criando uma janela de oportunidades para outras nações.

Segundo analistas ouvidos pelo iG , após os atentados com quase 3 mil mortos em Nova York, em Washington e na queda de um avião sequestrado na Pensilvânia (veja infográfico com cronologia dos ataques) , erros de cálculo levaram ao declínio da capacidade dos EUA de influenciar eventos mundo afora, assim como ao enfraquecimento de sua liderança diplomática e persuasão.

Nesse contexto, a ascensão de novos players globais – como Brasil, China e Índia – e a crise financeira de 2008 , cujos reflexos são sentidos até hoje, ajudaram a moldar o mundo atual, dez anos após os ataques.

O que então vinha sendo, segundo as palavras do próprio presidente George H. W. Bush (1989-1993), pai de George W. Bush, “uma nova ordem mundial” baseada no triunfo dos valores americanos e da democracia liberal - depois da queda da URSS em 1991 - foi interrompido pelo dia fatídico que repentinamente mudou o curso da História.

“Os quatro aviões usados nos ataques daquele dia transformaram a maneira como políticos e cidadãos veem os EUA e o mundo”, disse ao iG o americano Kirk Buckman, professor de relações internacionais da Universidade de New Hampshire, nos EUA. “Depois disso, as consequências da Guerra no Iraque (iniciada em 2003) e os problemas econômicos que tivemos dentro de casa deixaram ainda mais claro ao mundo o declínio americano.”

A opinião é compartilhada pelo especialista jordaniano Mouin Rabbani, colaborador do Projeto de Informação e Pesquisa do Oriente Médio (Merip, na sigla em inglês), para quem o tipo de resposta aos ataques foi responsável pelo “enfraquecimento profundo do papel e poderio dos EUA a uma extensão muito maior do que se tivesse respondido de maneira diferente”.

Para o analista americano Robert Schmuhl, professor da Universidade Notre Dame, em Indiana, o 11 de Setembro deixou os EUA com a sensação de ataque iminente e desencadeou um novo tipo de guerra. “Domesticamente, todo político queria transmitir uma postura firme no combate ao terrorismo. No campo externo, a Guerra ao Terror substituiu a Guerra Fria (1947-1991) como a principal preocupação da política externa americana.”

Com uma diplomacia unilateral nos oito anos de governo de George W. Bush (2001-2009), caras ofensivas militares em nome da Guerra ao Terror, endividamento crescente e acusações de tortura em Guantánamo, em prisões secretas da CIA (Agência Central de Inteligência) e no Iraque e Afeganistão, os EUA adotaram passos para um desprestígio internacional – irreversível na opinião de alguns. “Não consigo imaginar, por exemplo, um ressurgimento do poderio americano”, afirmou o jordaniano Rabbani.

Leia nos links abaixo os impactos do 11 de Setembro para:

- ESTADOS UNIDOS;

- TERRORISMO ;

- CHINA ;

- ORIENTE MÉDIO ;

- AMÉRICA LATINA ;

- EUROPA ;

- ÁFRICA .

    Leia tudo sobre: wtc11 de setembronova yorkterrorismotorres gêmeas

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG