Compras continuam em Nova York apesar do luto pelo 11 de Setembro

Mesmo sob alertas de possível ataques, turistas e americanos lotaram lojas de cidade que foi um dos alvos dos atentados de 2001

Carolina Cimenti, de Nova York, especial para o iG |

AFP
Uma bandeira e rosas são vistas na ala sul do memorial do 11 de Setembro em Nova York
Os americanos chamam os ataques do 11 de Setembro de 2001 de "11/9 - Dia da Lembrança". Na parte sul de Manhattan, amigos e familiares das vítimas, além do presidente americano, Barack Obama, e do ex-presidente George W. Bush (2001-2009), lembraram cada uma das quase 3 mil vítimas em uma cerimônia de mais de quatro horas . Várias ruas foram bloqueadas por questão de segurança, e o contingente de policiais trabalhando foi excepcional, com grupos de oficiais se aglomerando em cada esquina.

A metros de distância do Marco Zero (onde ficavam as Torres Gêmeas do World Trade Center), das bandeiras e das lágrimas, porém, americanos e turistas fazem exatamente o que o Bush pediu que fizessem poucos dias após os atentados, dez anos atrás: compras. As lojas em Nova York estão abertas e lotadas. “Pensávamos que, por causa do 11/9 e dos riscos de um atentado , as pessoas não fossem vir até aqui, mas pelo jeito ninguém está com medo”, disse a atendente Sharon Jones, da popular loja Century 21, a poucos metros do Marco Zero.

Em Downtown (parte de Manhattan onde se encontra o Marco Zero), a quantidade de policiais e ruas bloqueadas não deixou ninguém esquecer que este domingo marcou o aniversário dos maiores ataques da história dos EUA, lançados com quatro aviões sequestrados por 19 terroristas (veja infográfico com a cronologia dos ataques) . A partir do centro de Manhattan, até o norte da ilha, pareceu um dia normal, cheio de turistas, lojas abertas, restaurantes com filas e vários eventos da New York Fashion Week. A única diferença foi que, em quase todas as avenidas policiais pararam carros e vans atrás de explosivos.

O advogado brasileiro Roberto Pereira e seu filho, Rafael, aproveitaram a data para visitar o Marco Zero durante a cerimônia. “Todos esperavam um atentado hoje. Mas o grande diferencial dos ataques terroristas é o fator surpresa, então hoje, apesar da expectativas, acho que é o dia mais improvável”, afirmou Roberto. Embora não tenham conseguido ver quase nada da cerimônia por causa dos tapumes das construções do novo WTC , dizem que valeu a pena passar por ali num dia tão significativo.

O inglês Marc Adams, por outro lado, nem chegou perto do Marco Zero. Ele decidiu passar o dia na Quinta Avenida fazendo compras, mas disse não se sentir 100% seguro atualmente em Nova York. “Na Inglaterra, é impossível encontrar uma lata de lixo na rua (para evitar que sejam escondidas bombas), e o metrô está sempre cheio de policiais. Aqui, a presença dos policiais é mais visível, mas no metrô não vejo tantos, e as latas de lixo são todas abertas. É como se lá existisse uma verdadeira técnica para evitar terroristas, enquanto aqui tentam assustar com o policiamento maciço. Espero que funcione”, disse.



O policial Vincent Aaron foi um dos poucos oficiais que aceitaram responder algumas perguntas. Ele disse que quase todo o Departamento de Polícia de Nova York está em alerta e trabalhando hoje. “E seguiremos assim até o fim do mês”, afirmou. Ele para todas as vans e um carro em cada dez que passam em Columbus Circle para inspecioná-los. “Não espero encontrar nada, mas é importante ter certeza de que fazemos todo o possível para evitar qualquer contratempo”, disse.

Para os bombeiros, esse é obviamente um dia especial. Os parentes dos membros da corporação que morreram no colapso das Torres Gêmeas tradicionalmente visitam e almoçam no esquadrão onde eles trabalhavam. A equipe do esquadrão 23, na rua 57 de Manhattan, estava toda na rua tirando fotos com crianças e aguardando as viúvas dos quatro colegas mortos nos ataques. “Somos todos uma grande família, e essa é a forma de demonstrar para elas que, mesmo depois que seus maridos morreram, ainda fazem parte”, disse um bombeiro que não quis ser identificado.

Assista ao vídeo da cerimônia:

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