Julgamento de acusados do 11 de Setembro começa neste sábado

Familiares de vítimas assistirão da base naval em Guantánamo e de telões em outros quartéis americanos

AFP |

Khaled Sheik Mohammed, autoproclamado cérebro dos atentados que derrubaram as torres do World Trade Center em 11 de Setembro , e quatro supostos cúmplices, se apresentarão neste sábado para julgamento. Esta será a segunda vez que o tribunal militar de exceção - criado há 11 anos pelo ex-presidente George W. Bush - trabalha no caso. O primeiro procedimiento foi interrompido com a eleição de Barack Obama que queria enviá-los à Justiça ordinária.

Os familiares das vítimas dos atentados expressaram na sexta-feira seu desejo de justiça. Os representantes das famílias presentes na base naval americana em Cuba foram selecionados por sorteio para assistir ao julgamento deste sábado. As demais famílias poderão acompanhar a audiência em telões gigantes colocados em quatro bases militares em solo americano.

Caso sejam declarados culpados, os acusados enfrentarão pena de morte. "Não estou impaciente para tirar a vida de alguém, mas (os atentados) foram a coisa mais horrível, mais asquerosa, mais odiosa que jamais imaginei", disse Cliff Russell, que perdeu seu irmão, um bombeiro, na queda das Torres Gêmeas.

Tara Henwood, que também perdeu seu irmão nos atentados, declarou que o julgamento "acontece onde deve acontecer". "Está aqui por uma boa razão", disse. "Dez anos é muito para esperar que haja justiça".

O presidente americano, Barack Obama, queria que o julgamento ocorresse em Manhattan, muito perto de onde estavam as Torres Gêmeas. Mas foi impedido pela oposição republicana no Congresso, que bloqueou a transferência a território americano de acusados de terroristmo.Khaled Cheij Mohamed, um kwaitiano de 47 anos, o iemenita Ramzi ben al-Chaiba, o paquistanês Alí Abd al-Aziz Alí, apelidado de Mohamed al-Baluchi, e os sauditas Walid ben Attach e Mustafah al-Hussawi, serão acusados de "ser responsáveis pela preparação e execução dos atentados de 11 de setembro em Nova York, Washington e Shanksville (Pensilvânia), que mataram 2.976 pessoas", segundo o Departamento de Defesa americano.

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