Em julgamento, acusados do 11 de Setembro ignoram perguntas

O suposto mentor dos ataques e outros quatro presos em Guantánamo tiraram os fones de ouvido de tradução

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O autoproclamado mentor dos ataques de 11 de setembro e os demais quatro réus que estão sendo julgados em Guantánamo se recusam a responder a perguntas. Todos se ajoelharam em oração e ignoraram as perguntas do juiz.

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Entrada do local onde os prisioneiros estão sendo julgados em Guantánamo neste sábado (5/5)

Khalid Sheikh Mohammed e outros quatro homens apareceram pela primeira vez em mais de três anos de acusação. Eles estão no tribunal militar de Guantánamo onde são réus pela morte de 2.976 na queda das torres gêmeas.

Assim que a audiência começou, eles tiraram os fones de ouvido que fornecem traduções para o árabe e se recusaram a responder todas as perguntas do juiz, coronel do Exército James Pohl. A certa altura, dois dos homens levantaram-se e rezaram ao lado de suas mesas de defesa sob o olhar atento de soldados da sala de alta segurança na base em Cuba.

O prisioneiro Walid bin Attash chegou em uma cadeira que restringia os movimento por razões não especificadas. Em seguida, o dispositivo foi removido diante da concordância dele em se comportar. Todos os advogados dos réus se queixam de que os presos foram impedidos de usar roupas civis de sua escolha.

Mohammed, que sempre usava um turbante branco em juízo e barba sem fazer, apareceu em um uniforme listado vermelho. O advogado civil, David Nevin, disse acreditar que Mohammed não estava respondendo, porque ele acredita que o tribunal é injusto.

Jim Harrington, um advogado civil para o réu iemenita Ramzi Binalshibh, disse que seu cliente não iria responder às perguntas "sem abordar as questões de confinamento." Nenhuma outra explicação foi dada.

O juiz advertiu que não permitiria que os réus para bloqueassem a audição e que continuaria sem suas participações. "Não se pode optar por não participar e frustrar o fluxo do processo", disse.

Ele resolveu a questão do fone trazendo os tradutores para o tribunal para falar em voz alta. Depois perguntou ao réu se eles entendiam seus direitos. Os homens não responderam e nem mesmo reconhecem que entenderam as perguntas. Em grande parte da audiência, os acusados pareciam tentar dar a impressão de estar em um mundo diferente do restante do tribunal.

Cheryl Bormann, a advogada de bin Attash, apareceu em um traje islâmico conservador, que deixou apenas o rosto descoberto e ela pediu ao tribunal que ordene as outras mulheres presentes a usar roupas "adequadas" para que os réus não precisassem desviar os olhos "por medo de cometer um pecado em sua fé. "

Em outro momento, Binalshibh interrompeu a sessão com uma explosão desde sua mesa de defesa e gritou em uma mistura de árabe com inglês: "Talvez eles me matem e digam que cometi suicídio."

Na primeira vez que foram a julgamento, antes do presidente Barak Obama interromper o processo na tentativa de leva-lo a uma corte regular, os réus pareciam dispostos a assumir o atentado e morrer. Mas houve sinais de que pelo menos algumas das equipes de defesa estavam se preparando para uma luta longa. “A acusação é apenas o começo de um processo que levará anos para ser concluído, seguido por anos de apelação," declarou o advogado James Connell, que representa réu Ali Abd al-Aziz Ali. "Eu não posso imaginar qualquer cenário em que isso se desenrole em menos de seis meses", completou.

Harrington, representando Binalshibh, que disse em uma audiência que estava orgulhoso do 11 de setembro, disse que não achar que qualquer dos acusados se declararia culpado, apesar de suas declarações anteriores.

Familiares das vítimas
Como nas audiências anteriores, um grupo de pessoas que perderam familiares nos ataques foram selecionados por sorteio para viajar até a base para assistir julgamento. Outros acompanharia em telões em bases militares de Nova York e na Costa Leste.

Os que estavam em Guantánamo disseram estar gratos por poder acompanhar o processo depois de tanto tempo. Cliff Russell, cujo irmão Stephen, bombeiro, morreu ao tentar salvar vidas no World Trade Center, disse esperar que o caso acabe com a pena de morte para os cinco prisioneiros. “Foi o ataque mais sujo que conhecemos.”

Suzanne Sisolak, do Brooklyn, cujo marido Joseph foi morto na torre, disse que não está preocupado com o resultado final, mas com que eles sejam punidos. "Eles podem colocá-los em prisão perpétua. Eles podem executá-los", disse Sisolak. "O que eu faço questão é que não volte a acontecer.”

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