Obama faz ruptura no estilo, mais do que na essência, no âmbito diplomático

Mais pelo estilo do que em substância, o presidente Barack Obama rompeu com os anos Bush em política externa, adotando um tom mais humilde e estendendo a mão aos inimigos do passado.

AFP |

O governo Obama recorreu bastante à diplomacia para tentar resolver conflitos de longa data mas, nos mais significativos, vem seguindo em parte, até agora, os passos de George W. Bush.

Nos 100 primeiros dias de sua presidência, Obama insistiu certamente na necessidade de ouvir os aliados dos Estados Unidos, e os demais, a fim de lutar contra a crise econômica e atacar os desafios cruciais representados por Afeganistão, Irã, Oriente Médio e Coreia do Norte.

Também decidiu fazer "partir do zero" as relações com a Rússia e anunciou o lançamento de negociações sobre uma redução dos arsenais nucleares dos dois países. O presidente americano deve viajar a Moscou em julho.

Durante viagens a Ásia, Europa, Oriente Médio e América Latina, Obama e sua chefe da diplomacia Hillary Clinton admitiram que Washington havia cometido erros e não poderia resolver sozinho os problemas do mundo.

Esta autocrítica satisfez os que consideravam arrogante a América de Bush, mas outros, nos Estados Unidos, acharam que amesquinhava também a potência de Washington.

Em três meses, o governo Obama ensaiou pequenos passos em direção a países inimigos como Irã, Síria, Cuba e Venezuela.

As nomeações de emissários especiais para Oriente Médio, Afeganistão, Paquistão, Coreia do Norte, os medidas voltadas para a energia e o aquecimento climático rompem também com a política de Bush que se recusou a fazê-lo.

Desde o início de sua presidência, em janeiro, Barack Obama ordenou o fechamento, dentro de um ano, da prisão de Guantanamo, na ilha de Cuba.

Para numerosos observadores, os Estados Unidos se fizeram desacreditar com práticas controversas da "guerra contra o terrorismo".

Mas o balanço da nova diplomacia americana é considerado, por enquanto, mitigado.

As tentativas de abertura em direção a Irã, Cuba, Síria e Venezuela se traduzem por mensagens não muito claras.

Os Estados Unidos também não disseram claramente se estavam prontos para encontrar dirigentes iranianos para discutir o programa nuclear de Teerã.

As tensões com a Coreia do Norte sobre a questão nuclear e a ameaça islamita no Paquistão se agravaram.

Ao contrário de seu predecessor, Obama favorece uma aproximação "integrada" no Afeganistão e Paquistão, através de seu enviado especial Richard Holbrooke, e fixa como objetivo abater a Al-Qaeda mais que instaurar a democracia no Afeganistão.

Anunciou o envio de 21.000 homens suplementares ao país, mas somados aos reforço civis, para ajudar ao desenvolvimento econômico e político do Afeganistão.

No Iraque, o calendário de retirada de tropas até o final de 2011 havia sido em grande parte fixado pelo governo Bush.

No Oriente Médio, Obama, como o predecessor, prioriza a solução de um Estado palestino ao lado de Israel e se recusa a conversar com o Hamas enquanto perpetuar a violência e não reconhecer o Estado hebreu.

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