Obama completa cem dias no cargo cauteloso com futuro

ARNOLD - Barack Obama alardeou na quarta-feira o rompimento do seu governo com as políticas do antecessor George W. Bush, nestes fervilhantes primeiros cem dias de mandato como presidente dos EUA, mas também manifestou cautela com o futuro.

Reuters |


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O marco dos cem dias é tradicionalmente usado nos EUA para avaliar as políticas do recém-chegado, mas analistas alertam que ainda é cedo para dizer se a longa lista de iniciativas de Obama irá ter sucesso.

Nestes pouco mais de três meses, Obama sinalizou mudanças em áreas tão díspares quanto a economia, a mudança climática e as relações com Irã e Cuba, como parte de uma agenda que tanto seguidores quanto críticos consideram ambiciosa.

O popular presidente, com taxas de aprovação superiores a 60%, usou uma reunião com cidadãos em Arnold, no Missouri, para promover suas iniciativas a respeito de saúde, educação e economia.

"Começamos a nos levantar, a sacudir a poeira, e começamos o trabalho de refazer a América", disse Obama. "Haverá reveses. Levará tempo. Mas prometo que sempre lhes direi a verdade sobre os desafios que enfrentamos."

Num sinal desses desafios, novos dados do governo mostraram que a economia se contraiu 6,1% no primeiro trimestre, um tombo maior do que o esperado, puxado pela queda nas exportações.

Embora a Casa Branca tenha minimizado o marco dos cem dias, considerando-o um termômetro artificialmente criado pela mídia, o governo está destacando a data com eventos importantes.

No encontro de Arnold, perto de Saint Louis, Obama citou o marco dos cem dias e ofereceu suas reflexões. "Estamos jogando o jogo", brincou o porta-voz Robert Gibbs, sobre a "onda" midiática criada devido aos cem dias. "Vamos tentar surfar nela um pouquinho."

A data também acaba sendo marcada pela ameaça da epidemia de gripe suína e pela polêmica em torno da sua decisão de divulgar documentos secretos do governo Bush que estabeleciam diretrizes para interrogatórios violentos contra suspeitos de terrorismo.

A tradição de avaliar os cem primeiros dias de governo nos EUA remonta ao governo de Franklin Roosevelt, que se gabava da sua capacidade de aprovar 15 projetos importantes depois de sua posse, em 1933, em meio à Grande Depressão. Desde então, nenhum presidente demonstrou tamanha atividade.

"Não há mágica nos primeiros cem dias", disse Ross Baker, cientista político da Universidade Rutgers. "Acho que as pessoas estão sempre procurando uma marca ou algum tipo de baliza."

Como exemplo da precariedade dos cem dias como indicativo, muitos analistas citam George W. Bush, cujo governo acabou sendo marcado por fatos como os atentados de 11 de setembro de 2001 (quase nove meses depois da posse) e a invasão do Iraque (em 2003).

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